Hierarquia de Género na Distribuição Alimentar

Produção e distribuição de alimentos evidenciam uma hierarquia de género cujo topo é ocupado pelos homens e que eles usam, efectivamente, como mensagens de poder.
Em geral as mulheres não possuem nem a terra, nem os meios de produção, mas são elas que trabalham na agricultura, selecionam sementes, cultivam, colhem.
Na divisão da comida, respeita-se uma hierarquia de géneros: os homens comem primeiro e está-lhes reservada uma parte substancial dos alimentos preparados para a família.
A comida é responsabilidade da mulher, muitas vezes uma das
principais fontes do seu poder no lar. As mulheres recolhem a comida,
fazem compras, escolhem o que deve ser comido e cozinham. Durante
muito tempo, antropólogos sociais chamaram as mulheres de
“porteiras” dos abastecimentos domésticos de comida. (Visser, 1998,
p.279).
Condição de certa vantagem que começa a enfraquecer com o surgimento do ato de comer fora, quando sua
condição de promotora da partilha e da comensalidade foi crescente até o
surgimento do fast food, quando entra em declínio pela consequente
individualização do comer fora de casa. Ainda assim, é à mulher que cabe o ordenamento dos horários de comer e o disciplinamento dos temos das refeições.
Claude Lévi-Strauss faz uma observação como sendo a cozinha um espaço não só de demonstração de maior ou menor elaboração da cultura, mas também que é nela que se estabelece uma base de divisão sexual do trabalho, onde às mulheres é reservado o espaço doméstico. Espaço, que com o advento da industrialização e da sociedade moderna é desvalorizado, assim como são desvalorizadas as tarefas em quem nele a executa
Pior é que não precisa ser na Índia, no Nordeste brasileiro, ou nas famílias tradicionais: na distribuição da comida, a mulher internalizou a falsa ideia de que o homem precisa sempre de mais do que ela própria e seus filhos.
Bibliografia
Alimentação e codificação social. Mulheres, cozinha e estatuto.  Perez, Rosa Maria. Cad. Pagu[online]. 2012, n.39, pp.227-249. ISSN 1809-4449.  http://dx.doi.org/10.1590/S0104-83332012000200008.
Comensalidade e cuidado: meninas-jovens-mulheres órfãs no contexto de HIV/Aids*Sueli Aparecida Moreira1
Ivan França Júnior2
José Ricardo Ayres 3
Michelle Medeiros4
Anúncios

Sobre Mara Cristan

Socióloga e Docente Universitária
Esta entrada foi publicada em Almanaque. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s