Processos de Envelhecimento em Portugal. Usos do tempo, redes sociais e condições de vida

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Título: Processos de Envelhecimento em Portugal. Usos do tempo, redes sociais e condições de vida

Autores: Manuel Villaverde Cabral (coord.); Pedro Moura Ferreira (IP); Pedro Alcântara da Silva; Paula Jerónimo; Tatiana Marques

Data: 2013

Descrição: Baseado no estudo realizado pelo Instituto do Envelhecimento da Universidade de Lisboa com apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

+ info e venda: site ffms (aqui)

Download: pdf pdf

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Arte tumular estrusca: síntese de aula

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Curso online sobre  História da Arte, aulas virtuais oferecidas pelo Professor Doutor José Leonardo do Nascimento do Instituto de Artes da Unesp (Universidade do Estado de São Paulo).

1º e 2º aula: A Arte tumular estrusca, síntese de conteúdo.

Método = caminho estabelecido enquanto diálogo entre Grécia e Roma.

Mitologia grega foi latinizada, sendo que apesar de Roma “imitar” a arte grega, estabeleceu também sua especificidade.

O primeiro contacto entre os romanos e os gregos, se estabeleceu através do povo etrusco. Do qual ainda não foi decifrada a escrita, e que se manteve como povo desprezado pelos gregos (apesar do intenso comércio que praticaram) e que tiveram como informantes, os romanos: seus maiores “inimigos”.

Os romanos diziam que os etruscos eram supersticiosos e que também que na sua história familiar, os pais eram desconhecidos. É, praticamente, tudo o que nos foi legado como relato acerca dos estrúrios através dos romanos.

Arnaldo Momigliano, historiador italiano, dizia que nós conhecemos mal os povos que os gregos não conheceram e que, mormente, os poucos relatos que se tem da Etrúria, são indicativos de que era uma sociedade mais libertária, mais igualitária para as mulheres. Que eram alfabetizadas e que tinham um nome.

Nas sociedades romanas, as mulheres herdavam o nome de seus pais: Pompéia, filha de Pompeu; Cesária, filha de César; Cornélia, filha de Cornélius. A prova disto se encontra em diversas inscrições encontradas em fundos de espelhos que foram levados para as sepulturas.

A arte tumular de Etrúria, presente nas mais de 70 casas-túmulo encontradas em Tarquínia, são comprovação de que os etruscos acreditavam numa vida pós-mortem como a vida propriamente dita. Tanto que decoravam seus túmulos como já faziam os egípcios. Esta ideia de uma vida onde a dança, o prazer da música, da bebida, da nudez, da alegria estampada nas faces, também fazia parte do outro lado da nossa existência.

O que há de notável na arte tumular dessa sociedade, é que as mulheres etruscas foram figuras sociais presentes em todos os eventos da vida quotidiana, ao contrário do que se passou em Roma ou na Grécia, sociedades cuja a existência feminina esteve circunscrita ao domínio masculino e cuja voz pouco ou nada nos foi transmitida.

etruria casal

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História do meu Tio sem Orelha

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(a) Mara Cristan 

 

História do Meu Tio Sem Orelha

O meu primeiro causo, por Mara Cristan (a)

Limeira era uma cidade engraçada.

Tinha 16 mil habitantes, uma igreja matriz, uma estação de trem pegada à estação rodoviária, um colégio de freiras, o mercado municipal (que era o shopping center da época), o salão de beleza da minha mãe e o puteiro, duas quadras atrás da nossa casa: o salão de beleza.

Meu tio Angelim – solteirão que sobrou dos casamentos tardios da roça – não tinha uma orelha. Morava com uns parentes, mudando sempre que a coisa apertava. Pobre? Sem dúvida! Mambembe e despossuído.

Tinha duas camisas, dois pares de calças…ceroulas (era discreto ao lavá-las?) ou não teria?Meias furadas e desbotadas no varal? Tinha! Mala de papelão? Aí tinha! Vinha sempre vazia e voltava como vinha. Sapatos gastos e um chapéu furado, cheirando a suor de velho.

No alpendre da casa havia um murinho, onde a minha cadelinha – a “Briguite” , não a Bardôt– aprontava das suas…era a coitada a campainha da casa. Casa-Salão-de-Beleza vizinha do puteiro….daí que a cachorrinha vivia latindo. E o tio, apreciando as putas.

O tio tinha um sorriso de cachorro no cio diante do talho, olhava cobiçando as carnes que iam desfilando.

Do puteiro costumavam vir as moças, já macacas velhas do mercado, ao shopping de então. Vinha lá a Soninha Jamanta, mulher farta à bruta. Corpo da Vênus de Wilendorf ou do Abapuru?

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E o tio , o caipirão sem orelha, com a cobiça de cachorro em frente a TV de virar os frangos, surdamente dizia: “ – Quanta carrrrne!”

Tio Angelim morreu aos 86 anos, num asilo de velhos em Barrinha-SP. Da última imagem dele, disseram que estava feliz, sentado num banco de praça, vendo as moças passarem.

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Introdução aos Dados para Compreender a “Onda Grisalha”

Terra Portugal

2ª Encontro: Lazer e Bem-estar

Perspectivas para compreender o envelhecimento

Ao longo da história foram concebidas diferentes visões sobre o processo de envelhecimento, assim como ainda coexistem outras percepções sobre a velhice em culturas distintas.

Entretanto, a ideia de que a vida se desencadeia num ritmo decrescente foi acolhida pelo pensamento popular – das sociedades ocidentais – como sinónimo de que velhice equivale à inutilidade e mesmo de que é um processo pelo qual não passaremos.

Temos evidências de que, com o passar dos anos, o vigor, a força física e a rapidez dos reflexos decaem. Além disso, pessoas em uma idade avançada possuem uma probabilidade maior de ficarem doentes e levam mais tempo para se recuperar.

Todavia, mesmo que isto seja um dado da realidade, não é necessariamente verdadeiro que as pessoas se tornem incapazes, significando apenas uma possível queda em seu rendimento, em determinadas esferas de ação. A avaliar pelos últimos censos, 17,4% das pessoas entre os 15 e os 64 anos têm dificuldade em fazer pelo menos uma destas coisas: ver, mesmo com óculos; ouvir, mesmo com prótese auditiva; andar, descer ou subir degraus; sentar-se ou levantar-se, dobrar-se, esticar-se, levantar ou transportar, agarrar, segurar ou rodar algo; memorizar ou concentrar-se; comunicar, compreender ou fazer-se compreender.

E, tudo se agrava com a idade.  É fato que são situações que ultrapassam os 50% entre os maiores de 70 anos, mas isto não é igual a dizer que a partir de determinada altura da vida somos incapazes e improdutivos. Devemos tomar a velhice não como sinónimo de incapacidade, porque os mais jovens também podem sê-lo, mas como um período no qual podemos ser bem-sucedidos.

Estudos da demográfica mundial revelam que a onda dos “cabelos grisalhos” é praticamente um “tsunami”. No mundo, o número absoluto de pessoas de 65 anos está se multiplicando por quatro entre 1955 e 2025, e sua proporção em relação à população total dobrará (Correio da UNESCO, 03-1999).

ollho velho

Alguns Dados sobre o envelhecimento no mundo, em Portugal e no concelho de Mafra:

a) Mapa da média das idades por país:

 

mapa media idade mundo

 

b) Previsão do índice de envelhecimento da população portuguesa entre 1990-2020:

mapa previsao

 

c) Curva do envelhecimento da população de Portugal (1961-2003)

mapa velhice portugal

 

Dados sobre o Concelho de Mafra-Portugal

mapa mafra

  1. População por grandes grupos etários:

 

População Total 76.685 habitantes
População situada na faixa de 65+ 35.739 habitantes

 

b) Índice de envelhecimento do concelho de Mafra: expressa a relação entre população jovem e população idosas. Habitualmente definido como o quociente entre número de pessoas com idade igual ou superior aos 65 anos e pessoas em idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos. Em geral, resultante da relação em percentagem (por 100 pessoas com idade entre os 0 e os 14 anos).

1960 1981 2001 2011
31% 50% 203,4% 185,8%

mapa gerações

c) Composição por sexo da população do concelho de Mafra:

 

tabela

Homens Mulheres
37.317 habitantes do sexo masculino, dos quais 21.980 situam-se entre os 65 anos de díade ou + 39.368 habitantes do sexo feminino, dos quais 17.759 situam-se entre os 65 anos de idade ou +

 d) Pensões de Segurança Social: total, de invalidez, de sobrevivência e de velhice:

 

1990 2013
10.257 habitantes 16.487 habitantes

justiça1

Bibliografia Utilizada:

Base de Dados Portugal Contemporâneo. Fundação Francisco Manuel dos Santos.

http://www.pordata.pt/Municipios/Indice+de+envelhecimento-458

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Primeiro Encontro

Viver é tão importante quanto criar.

Cabo Carvoeiro - Foto by Mara Cristan

Cabo Carvoeiro – Foto by Mara Cristan

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Conteúdos para a disciplina: “Lazer e Bem-estar”

olho do mundo

Universidade Sénior de Mafra – ICM – USEMA

Proposta de conteúdos para a disciplina: “Lazer e Bem-estar” ©2014

Docente: Professora Doutora Mara Lúcia Cristan

  • Objetivos:

Em estudo recente, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (2013), se apresenta uma análise pormenorizada dos usos do tempo livre pela população portuguesa situada na faixa etária entre os 50 e 75 ou mais anos, enfatizando, que com o passar do tempo e a reforma, as pessoas vão abandonando círculos sociais e se aproximando mais da televisão. Esta situação, que marca uma tendência para o isolamento, se agrava com a viuvez, o esfacelamento de laços familiares e das relações que se estabeleceram no ambiente de trabalho.

Compreendendo um conjunto de ações recomendados pela OCDE (2012) e a diversidade encontrada entre os países que compõem a comunidade, é, entretanto, fato comum que a educação ao longo da vida, se encontre como uma das principais estratégias de socialização incorporada pelo Estado e diversas instituições, para uma população que vem crescendo e continuará crescendo, dado o aumento da expectativa de vida.

O propósito dos conteúdos trabalhados nesta disciplina buscam apoiar a subversão ao isolamento, através de atividades que promovam alternativas de ocupação dos tempos livres a partir de experiências lúdicas que garantam informação sobre hábitos de saúde e atividades de lazer.

  • Conteúdo do Programa de Aulas e Dinâmicas: © 2014, Mara Lúcia Cristan.

Módulo 1- A velhice e o processo biológico de envelhecimento: como envelhecemos?

Subtemas: postura, epiderme e alimentação.

Atividades para o Módulo 1: aulas; dinâmicas de grupo; oficina de receitas caseiras; palestra proferida pela Enfermeira Eugénia Coelho, subordinada ao tema ”Diabetes e Hipertensão”.

Módulo 2- A interação intergeracional: o que sabemos para transmitir aos mais

Subtemas: o brincar e a realidade; memórias do brinquedo e da infância.

Atividade para o Módulo 2: oficina de brinquedos a partir de reutilização de materiais.

Módulo 3: Jogos tradicionais.

Subtemas: construção de um repertório de brincadeiras e jogos.

Atividade para o Módulo 2: oficina de realização: venha jogar connosco.

Módulo 4: Atividades lúdicas no meio aquático.

Subtemas: noções básicas em natação; brincadeiras de Verão.

Módulo 5: Viajar como lugar de redescobertas.

Atividades para o Módulo 5: palestra proferida pelo Prof. Doutor Lomba-Viana, subordinada ao tema “Os benefícios do consumo moderado de vinho tinto e a vinha, o vinho e as confrarias báquicas”; visita de estudo e de lazer à Quinta do Sanguinhal, com prova de vinhos. Almoço de confraternização.

  • Calendário e local de aulas:

A desenvolver junto à direção da ICM-USEMA.

  • Avaliação: participação no Grupo do Facebook, que será criado especificamente para os alunos da disciplina. Não-absentismo e comprometimento com o trabalho.

 

  • Bibliografia utilizada:

Cabral, Manuel Villaverde. Processos de Envelhecimento em Portugal: usos do tempo, redes sociais e condições de vida. Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2013.

 

 

Mafra, 01 de Setembro de 2014.

Mara Lúcia Cristan (Profa. Doutora)

(Socióloga e Professora Universitária)

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Primeira Síntese

pacto colonial1

 

Primeira Síntese

 

Os historiadores mais modernos, criaram uma cilada: dizendo que não foi Portugal a se beneficiar da escravidão.

Que muitos dos traficantes de africanos eram brasileiros, mulatos que viviam à sobra das casas grandes…já sabemos. Mestiços que usaram o conhecimento deixado por seus ancestrais sobre a África e fizeram dele forma de ganho e exploração do outro. Aos poucos, de traficantes passaram à “homens bons”, ganharam autonomia, criaram bases num e noutro continente, ao mesmo tempo em que alcançavam ascensão social e status político.

A ideia de que um “Pacto Colonial” traçado entre metrópole (Portugal), Brasil e África, onde o primeiro sorvia todo o lucro obtido a partir das relações que se compunham entre um fornecedor de escravos e um doador de matérias-primas, foi quebrada.

Entretanto , parece haver uma lacuna na explicação de quem se apropriou da maior fatia do bolo. Se vingou a ideia da administração pluricontinental, onde o poder era distribuído de forma difusa e de que nunca houve um centro que concentrasse poder…como explicar as desigualdades de desenvolvimento entre as três partes do conjunto: África, Brasil e Portugal?

A pergunta é, de todo, ambiciosa.

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