Educação especial 2: Paralisia Cerebral

Educação especial 2: Paralisia Cerebral

Paralisia cerebral é um termo genérico para descrever um grupo heterogéneo de déficies motores. Várias classificações são utilizadas para descrever tais déficies. De uma forma geral, deve ser feita por tipo clínico e pela divisão da localização da lesão no corpo.

Causas principais da PC (Paralisia  Cerebral):

Ser portador de paralisia cerebral não é ter uma doença, como também não significa que o cérebro ficou paralisado, mas sim que este não consegue comandar os movimentos da pessoa afetada.

Na criança com paralisia cerebral deve-se perceber como dificuldades típicas as seguintes características: alterações no desempenho motor ao andar, ao usar as mãos para comer, ao escrever, ao se equilibrar, ao falar, ao olhar ou qualquer outra atividade que exija controle do corpo e coordenação motora adequada, assim como comprometimentos das funções neurovegetativas (sucção, mastigação e deglutição).

Além das dificuldades motoras, essas crianças podem apresentar deficiências sensoriais e intelectuais, ou seja, dificuldades para ver, ouvir, assim como para perceber as formas e texturas dos objetos com as mãos. Pode ainda estar afetada a noção de distância, direita e esquerda, de espaço, etc. Essas dificuldades podem se combinar das mais variadas maneiras, nos mais diversos graus de gravidade, segundo a área do cérebro atingida e a extensão da lesão. Dessa forma, uma criança poderá ter a movimentação pouco afetada e apresentar sérias dificuldades intelectuais, como pode também acontecer o contrário.

De acordo com o diagnóstico clínico, as PCs podem ser classificadas e em termos dos movimentos afetados da seguinte forma:

 

1 – Espástica: Os músculos são muitos tensos, o que limita ou impossibilita os movimentos do corpo. A criança espástica é dura demais para mover-se, todo movimento é lento e exige um grande esforço. É o tipo mais comum de paralisia cerebral;

2 – Extrapiramidal: A lesão ocorreu em uma região do cérebro chamada núcleos da base. Os músculos possuem um grau de tensão variável, o que resulta em uma realização de movimentos indesejáveis, involuntários. É o segundo tipo mais comum de paralisia cerebral e pode ser dividido em:

2.1 – Atetóide: Há variação no grau de tensão dos músculos das extremidades do corpo (em relação aos braços, essa variação ocorre nas mãos), levando à realização de movimentos lentos, contínuos e indesejáveis, que são muito difíceis de dosar e controlar. A criança atetóide tem grande dificuldade de realizar o movimento voluntário e manter a mesma postura por muito tempo;

2.2 – Coréico: Há variação no grau de tensão dos músculos das raízes dos membros (em relação ao braço, esta variação ocorre nos ombros), levando à realização de movimentos rápidos e indesejáveis. A criança coréica pode ter dificuldade para realizar o movimento voluntário;

2.3 – Distônico: Há um aumento repentino da tensão do músculo, levando à fixação temporária de um segmento do corpo em uma postura extrema;

3 – Atáxico: A lesão ocorreu em uma região do cérebro chamada cerebelo, responsável, entre outras coisas, pelo equilíbrio. Os movimentos são incoordenados e bruscos. Pode haver a presença de um certo tremor. A criança atáxica tem dificuldade em manter uma postura parada. É um tipo raro de paralisia cerebral.

De acordo com a área afetada do cérebro os prejuízos na mobilidade podem afetar a os membros superiores apresentam menos comprometimento que os membros inferiores (diparesia);  a parte afetada é um dos lados do corpo (hemiparesia );  o comprometimento é maior  nos membros inferiores (tetrapesia).

Uma criança que seja Portadora de Paralisia Cerebral terá um desenvolvimento global mais lento.

Considerando o texto anterior, onde superficialmente tratamos do processo de aprendizagem e seus estágios, podemos dizer que o brincar terá um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo, corporal e afetivos destas crianças.

Entretanto, as formas de integração ao processo de aprendizagem devem ser analisadas caso a caso, já que as possibilidades de exploração dos objetos estão prejudicadas pelas caraterísticas da motricidade. O que vale dizer um esforço de adaptação dos meios envolventes no processo ensino-aprendizagem que tome em conta o fazer com ela e não o fazer por ela.

Bibliografia:

 

Sociedade Portuguesa de Neuropediatria.  http://neuropediatria.pt/index.php/pt/para-os-pais/paralisia-cerebral

 

 

 

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Educação Especial 1

 

Educação especial 1

 

Claude Lévi Straus: as diferenças devem ser assumidas, todos nós somos diferentes, nascemos brancos, negros, vermelhos, amarelos, homens ou mulheres. Ser diferente, não significa ser desigual. Todos devemos ter os mesmos direitos.

Diferença e desigualdade não são a mesma coisa. As crianças com deficiências, apresentam características que fogem do convencionado padrão de normalidade, mas devem ser consideradas com características individuais.

A ideia de normalidade enaltecida pela sociedade deve ser debatida já que a diferença causada pela deficiência merece uma atenção especial e não reconhecer isto é adiar a solução para problemas.

Está claro em termos clínicos que deficiências como a paralisia cerebral apresenta características diferentes, devendo ser discutidas caso a caso em termos de adaptação aos equipamentos que lhes são necessários.

Estas dificuldades podem estar relacionadas ao domínio da fala, da audição, da execução de tarefas que exijam coordenação fina, de desequilíbrios ao caminhar,  a necessidade de uso de cadeiras de rodas auto dirigidas, dirigidas por comandos ou que necessitam de ajuda de outra pessoa. Quadros mais severos indicam necessidade de apoio para realização de higiene, ida à casa de banho, alimentação, cuidados especiais para pessoas especiais.

Abordagens teóricas para crianças com paralisia cerebral:

Vamos falar dos dois principais teóricos:  o suíço Jean Piaget (1896-1980) e do russo Lev Semionovich Vygotsky (1896-1934), o curioso é que ambos ainda que contemporâneos desenvolveram teorias complementares sem nunca tendo se encontrado.

Piaget considera que o aprendizado se realiza a partir das interações entre modificações do ambiente e mudanças biológicas da criança, concluindo que resulta daí a passagem para novos estágios do processo de aprendizagem e que, segundo ele, divide-se em duas fases: período de inteligência sensorial motora, que vai do nascimento até os dois anos de idade e se constituí em seis estágios; e o período pré-operacional, compreendido entre os dois e os sete anos de idade.

Para Vygotsky o processo de aprendizagem é essencialmente interativo, dependendo do contexto histórico e social em que a criança vive e do auxílio de uma pessoa experiente que conduza esse processo.  O pensamento infantil é guiado pela fala e pelas experiência orientadas, que paulatinamente garantem um auto-equilíbrio.

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Hierarquia de Género na Distribuição Alimentar

Produção e distribuição de alimentos evidenciam uma hierarquia de género cujo topo é ocupado pelos homens e que eles usam, efectivamente, como mensagens de poder.
Em geral as mulheres não possuem nem a terra, nem os meios de produção, mas são elas que trabalham na agricultura, selecionam sementes, cultivam, colhem.
Na divisão da comida, respeita-se uma hierarquia de géneros: os homens comem primeiro e está-lhes reservada uma parte substancial dos alimentos preparados para a família.
A comida é responsabilidade da mulher, muitas vezes uma das
principais fontes do seu poder no lar. As mulheres recolhem a comida,
fazem compras, escolhem o que deve ser comido e cozinham. Durante
muito tempo, antropólogos sociais chamaram as mulheres de
“porteiras” dos abastecimentos domésticos de comida. (Visser, 1998,
p.279).
Condição de certa vantagem que começa a enfraquecer com o surgimento do ato de comer fora, quando sua
condição de promotora da partilha e da comensalidade foi crescente até o
surgimento do fast food, quando entra em declínio pela consequente
individualização do comer fora de casa. Ainda assim, é à mulher que cabe o ordenamento dos horários de comer e o disciplinamento dos temos das refeições.
Claude Lévi-Strauss faz uma observação como sendo a cozinha um espaço não só de demonstração de maior ou menor elaboração da cultura, mas também que é nela que se estabelece uma base de divisão sexual do trabalho, onde às mulheres é reservado o espaço doméstico. Espaço, que com o advento da industrialização e da sociedade moderna é desvalorizado, assim como são desvalorizadas as tarefas em quem nele a executa
Pior é que não precisa ser na Índia, no Nordeste brasileiro, ou nas famílias tradicionais: na distribuição da comida, a mulher internalizou a falsa ideia de que o homem precisa sempre de mais do que ela própria e seus filhos.
Bibliografia
Alimentação e codificação social. Mulheres, cozinha e estatuto.  Perez, Rosa Maria. Cad. Pagu[online]. 2012, n.39, pp.227-249. ISSN 1809-4449.  http://dx.doi.org/10.1590/S0104-83332012000200008.
Comensalidade e cuidado: meninas-jovens-mulheres órfãs no contexto de HIV/Aids*Sueli Aparecida Moreira1
Ivan França Júnior2
José Ricardo Ayres 3
Michelle Medeiros4
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Lavar as Mãos e Comer!

 

NO TABULEIRO DA BAIANA TEM ?

Lavar as mãos, antes de comer, é reminiscência da purificação religiosa, aos poucos as refeições deixam de ser atos “fisiológicos” e vão ganhando aspecto ritualístico.

Jesus lava as mãos antes da última Ceia, e depois também lava os pés de seus apóstolos. Maomé aplica aos seus a obrigatoriedade de lavagem purificadora de pés e mãos e orelhas, aceita que – em regiões de escassês de água, se faça com areia -, os indígenas brasileiros lavam-se de corpo inteiro quando vão partilhar a comida com seus. No Brasil Colonial de 1700, ser recebido para a ceia  significava banho completo: o banho significou sempre ritual de purificação.

 

Câmara Cascudo, Luís, 1967.

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GERAÇÃO YUM: emoções virtuais e o comer

GERAÇÃO  YUMGeração  YUM, formada por jovens estadunidenses obsessivos por comida e por receitas e experiências gastronômicas, sentimento causado pela privação sensorial que a era digital promove. A comida e o comer fomentariam a emoção e os múltiplos sentidos que faltam aos solitários ‘gastronautas’ em frente das telas.”

 

Tradição perdida diante do ECRÃ/TELA :

 

 

 

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Comida de Índio: em torno da Antropologia da Comida

KATZ, Esther. Alimentação indígena na América Latina: comida invisível, comida de pobres ou património culinário. Porto Alegra, Espaço Ameríndio, v. 3, n. 1, p. 25-41, jan./jun. 2009.

 

A autora se propões a “desenhar” a dieta de duas populações indígenas: uma no México, região mixteca no Estado de Oaxaca; outra na Amazónia brasileira, região do Rio Negro. O objetivo é analisar como as dietas indígenas são percebidas nestas duas regiões na perspectiva de fora e de dentro. A pesquisa foi realizada ao longo de dois anos.

O que comem os índios de Oaxaca: sobretudo tortillas feitas a partir de milho, feijões, alguma carne, vegetação nativa junto ao roçado de culturas como o café, cogumelos, flores, frutas, pimenta, “quelite” (folhas novas, brotos, raízes), insetos (formigas, lagartas, larvas de escaravelhos e vespas, gafanhotos, percevejos), pouca caça (esquilos, pássaros, tatus, coatis, etc.).

As diferenças sociais marcam as dietas, já que os mixtecas habitam as regiões de piores solos pois o espanhol colonizador ocupou as melhores terras, deixando aos habitantes originais as terras marginalizadas. Portanto, não só a agricultura de subsistência está sujeita às épocas secas e de chuvas, onde a produção é prejudicada o que impede de torna-la fonte se sustento autónomo das famílias. Outra influência determinante na possibilidade de aquisição de alimentos, se deve ao fato de que os mexicanos que emigraram para os EUA enviam remessas de dinheiro e isto provoca aumento de poder aquisitivo na compra de alimentos industrializados.

No caso da população ribeirinha analisada, a caracterização de sua composição: caboclos e nordestinos, e descendentes de índios que não se reconhecem como tal, que se mantém afastados do elemento indígena que vive na floresta. A consequência imediata reflete em suas dietas e os faz desconhecedores da alimentação e das técnicas de cocção destes últimos.

Apesar do prato típico do Estado do Pará ser nacionalmente conhecido como o “pato no tucupi ou tacacá”, prato de elaboração sofisticada a partir da mandioca e folhas da floresta e que está se tornando “comida de rua” nos centros urbanos. Assim como a popularização do açaí, que há 15 anos ainda não se conhecia, do peixe e da farinha de mandioca que também são consumidos pela população. O que comem os ribeirinhos é praticamente o que provém como comida industrializada trazidas pelas barcas de Manaus: frango congelado, charque, tomate, cebola, alho, limão, macarrão, pão de trigo, café e bebidas industrializadas.

O caxiri, cerveja produzida a partir da mandioca já é de fabrico reduzido, pois sendo proibido pelos religiosos, tornou a técnica de conhecimento escasso. Em substituição, a bebida consumida é a cerveja e a cachaça. Alguns alimentos locais são vendidos, mas em pequenos volumes, pois os índios da região (tukano, pira-tapuya, desâna, tuyuka, baré, baniwa) não tem tradição de comerciar o excedente de produção. Ainda assim circulam alimentos locais como: castanhas, farinha, pimenta pilada.

Nas roças indígenas se planta, além da mandioca cujo manejo é feito pelas mulheres, outros tubérculos, como cará, inhame, batata doce, e folhas como a taioba, ainda também se plantam macaxeira abacaxi, pimenta, caruru, pupunha, etc. O açúcar se obtém como frutose, vinda da cana-de-açucar que é chupada e frutas como ingá, caju, cupuaçu, abacaxi, que encontram algum comércio nas vilas ribeirinhas.

Em algumas aldeias, mas não em todas, são apreciadas as larvas, lagartas e cogumelos. A comida básica é um caldo apimentado de farinha de mandioca e peixe, que também é consumido assado, moqueado ou frito, mingau de banana, comido numa cuia que é passada de mão em mão na casa comunitária ou o chibé (água misturada com farinha de mandioca).

O preparo dos alimentos também sofreu largas modificações: enquanto a população ribeirinha usa fogão a gás, panelas de alumínio, panelas de pressão, pratos de plástico e vidro, além do liquidificador para o preparo dos sucos. Nas tribos ainda permanece o uso do pilão e do ralo para trituração de alimentos e fabrico tanto do beiju, quanto dos sucos e mingaus, dos fornos de barbacoa (fornos subterrâneos), de algumas panelas de barro, da cestaria.

A autora concluí seu texto, colocando uma divisão entre gastronomia, que são resultado de distinções sociais, e o património culinário, que se constituí a partir dos recursos naturais de dadas regiões e das complexas relações de exploração do meio-ambiente, da agricultura e da circulação dos bens alimentares.

 

 

 

 

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Processos de Envelhecimento em Portugal. Usos do tempo, redes sociais e condições de vida

cerebro

Título: Processos de Envelhecimento em Portugal. Usos do tempo, redes sociais e condições de vida

Autores: Manuel Villaverde Cabral (coord.); Pedro Moura Ferreira (IP); Pedro Alcântara da Silva; Paula Jerónimo; Tatiana Marques

Data: 2013

Descrição: Baseado no estudo realizado pelo Instituto do Envelhecimento da Universidade de Lisboa com apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

+ info e venda: site ffms (aqui)

Download: pdf pdf

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